Regulamentação8 min de leitura

Reforma Tributária e clínicas médicas: o que muda com o split payment do governo

A LC 214/2025 institui a retenção automática de impostos nos pagamentos por cartão e PIX. Entenda como isso afeta o fluxo de caixa da sua clínica e como se preparar.

Dashboard financeiro de clínica médica mostrando impacto da reforma tributária no fluxo de caixa
Compartilhar

O que é o split payment tributário?

A Lei Complementar 214/2025 (Reforma Tributária) introduz um mecanismo chamado split payment — a retenção automática de impostos (IBS e CBS) diretamente no momento do pagamento. Na prática, quando um paciente paga uma consulta com cartão de crédito ou PIX, uma parcela do valor será retida automaticamente e direcionada ao governo antes de chegar à conta da clínica.

Não se trata de um novo imposto, mas de uma mudança na forma de arrecadação: o imposto que hoje a clínica recolhe mensalmente via guia passará a ser retido na fonte, em cada transação.

Impacto direto no fluxo de caixa

Para uma clínica que fatura R$ 100.000/mês e tem uma alíquota estimada de 8,5% (IBS + CBS combinados), o impacto é significativo:

CenárioSem split paymentCom split payment
Valor cobrado do pacienteR$ 100.000R$ 100.000
Retenção automática (IBS + CBS)R$ 0 (pago via guia no mês seguinte)~R$ 8.500 retidos na hora
Valor depositado na contaR$ 100.000~R$ 91.500
Float tributário disponível~30 dias0 dias

A clínica perde o float tributário — aquele período entre receber o pagamento e efetivamente recolher o imposto. Para clínicas que usavam esse capital de giro para cobrir despesas operacionais, a mudança pode gerar problemas sérios de caixa.

O que sua clínica precisa fazer agora

1. Mapear o fluxo de caixa real

Entenda quanto do seu faturamento mensal depende do float tributário. Se a resposta for "muito", é hora de reestruturar.

2. Separar receita bruta de receita líquida

Com a retenção automática, o valor que entra na conta não é mais o valor do atendimento. Seus relatórios financeiros e repasses aos profissionais precisam operar sobre o valor líquido efetivamente recebido.

3. Automatizar a gestão financeira

Calcular manualmente quanto foi retido em cada transação, quanto deve ir para cada profissional, e quanto sobra para a clínica é inviável com o volume de transações que passarão a ter retenção.

4. Rever os contratos com profissionais

Se o repasse ao profissional é calculado sobre o valor bruto do atendimento, a clínica pode acabar pagando mais do que recebeu. É preciso definir se o percentual combinado incide sobre o valor bruto ou o líquido.

Como a Kuria ajuda

O Motor de Repasse da Kuria já opera sobre o valor líquido de cada transação — ou seja, após as deduções do gateway e, futuramente, após a retenção tributária. Isso significa:

  • Repasses corretos automaticamente: o profissional recebe seu percentual sobre o que a clínica de fato recebeu
  • Visibilidade total: dashboard mostra quanto foi cobrado, quanto foi retido, e quanto foi repassado
  • Relatórios prontos para o contador: conciliação fiscal com detalhamento por transação
  • Sem surpresas no caixa: a clínica sabe exatamente quanto tem disponível a cada momento

Cronograma da Reforma

A implementação do split payment tributário será gradual. A expectativa é que os primeiros testes com o setor financeiro comecem em 2026, com expansão progressiva para outros setores. Clínicas devem se preparar agora para não serem pegas de surpresa.

Conclusão

A Reforma Tributária não é uma ameaça — é uma mudança de regra do jogo. Clínicas que se prepararem com antecedência, automatizando seus fluxos financeiros e tendo visibilidade total sobre receita líquida, passarão pela transição sem turbulência. As que deixarem para depois vão sentir o impacto no caixa.

Pronto para automatizar?

Descubra como automatizar o financeiro da sua clinica. Fale com um especialista.